Simpósios Temáticos – IV Ciclo de Debates Ditadura Brasileira Novos Olhares
Data da publicação: 28 de fevereiro de 2026 Categoria: Eventos
📚 Simpósios Temáticos
📌 Simpósio Temático 1 – Ditadura, gênero e sexualidades dissidentes
Proponentes:
Athaysi Gomes Colaço/Doutora em História-Universidade Federal de Santa Catarina/Professora substituta -UVA
Sarah Pinho da Silva/Doutora em História-Universidade Federal de Santa Catarina
Resumo:
A ditadura civil-militar no Brasil durou 21 anos e teve impactos na cultura, sociedade, relações sociais, de gênero e sexualidade. Tal movimento esteve articulado com outros processos ditatoriais que ocorreram nos países do cone sul, a exemplo de Chile e Argentina. Os movimentos autoritários da América latina foram questionados por movimentos sociais, partidos e grupos políticos que questionaram a repressão. O autoritarismo estatal incidiu também sobre comportamentos e normas sociais, buscando definir um modelo ideal de cidadão patriótico cujo padrão esteve fortemente ligado a cisheteronorma. Assim, quaisquer subjetividades que desviasse do referido padrão estava sujeita a violências e sanções. As discussões sobre gênero chegam ao Brasil motivadas pelos feminismos e, consequentemente, acendem o diálogo com a questão das sexualidades dissidentes. Assim, durante a ditadura civil-militar, diferentes grupos surgiram, a exemplo de grupos feministas e do movimento de identidades de gênero e de sexualidades dissidentes. Neste simpósio buscamos reunir pesquisas que versem sobre essas temáticas, compreendendo o debate, que se iniciou no país, a partir dos anos 1960. Incentivamos pesquisas que discorrem sobre as relações de gênero e os movimentos ditatoriais ocorridos nos países do cone sul, bem como discutam as experiências das sexualidades dissidentes nesse período.
Palavras-chave: Ditadura civil-militar. Gênero. Sexualidade.
📌 Simpósio Temático 2 – Repressão e instituições de controle durante a Ditadura Militar e Transição (1964-1988)
Proponentes:
Prof. Dr. Anderson Almeida/Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Prof. Dr. Airton de Farias/Instituto Federal de Educação do Ceará (IFCE)
Resumo:
O ST tem a proposta de reunir pesquisas, em diversos níveis – desde a Iniciação Científica ao Doutorado – que dialogam com os pressupostos teóricos-metodológicos da história política e da história cultural, com foco em personagens, instituições ou coletivos que de alguma forma foram afetados pela repressão, pela vigilância e pelas tentativas totalitárias de ditadura civil-militar de ter um controle pleno sobre a sociedade, quer seja pelos aspectos da política tradicional, quer seja pelo viés da moralidade e da chamada “boa educação do povo”. Nesse sentido, entendemos que os debates sobre música, cinema, literatura, biografias, esquerdas, direitas, memórias, censuras, jogos de acomodação e metamorfoses se constituem em importantes janelas de observação e análise para compreendermos melhor a última ditadura e a transição autoritária (1964-1985/1988).
Palavras-chave: repressão, controle, censura, transição.
📌 Simpósio Temático 3 – Ditaduras e práticas pedagógicas
Proponentes:
Edmilson Alves Maia Júnior (FECLESC – UECE)
Rafael de Farias Vieira (Memorial – UFC)
Resumo:
O propósito deste Simpósio Temático é reunir e discutir estudos e pesquisas sobre o ensino e as práticas pedagógicas durante o período ditatorial de 1964 a 1985. O evento abrange tanto trabalhos em andamento quanto concluídos, visando promover discussões sobre as diversas transformações educacionais ocorridas nesse intervalo em todos os níveis de ensino. Serão abordadas questões como reformas educacionais, criação de disciplinas, propostas de mudança curricular e debates públicos sobre a educação no geral. Além disso, o ST acolherá submissões que analisem espaços educativos e formativos, tais quais lugares de memória sobre a ditadura, bem como práticas, experiências e vivências pedagógicas, incluindo a produção, o mercado e os usos dos livros didáticos, o cotidiano e a cultura escolar, as instituições, espaços e as práticas de formação de professores e outras formas de construção e promoção do conhecimento, incluindo movimentos políticos e sociais como espaços de ensino-aprendizagem. O simpósio busca, portanto, proporcionar um espaço de diálogo e reflexão que contribua para uma compreensão mais ampla do papel da educação durante o período ditatorial no Brasil, considerando tanto sua dimensão institucional quanto seus aspectos cotidianos e vivenciais, tanto seus aspectos coercitivos quanto às possibilidades de resistência e transformação.
Palavras-chave: ditadura, espaços de ensino aprendizagem; cultura escolar
📌 Simpósio Temático 4 – Em busca da democracia: ditadura, redemocratização e usos do passado
Proponentes:
Tasso Brito/Secretária de Educação de Pernambuco
Cintya Chaves (Universidade Estadual do Ceará/
Resumo:
Nos últimos anos, assistimos a apelos para o retorno à ditadura, produção sistemática de revisionismos ideológicos e negacionismos históricos quando se aborda os passados autoritários tanto no Brasil quanto em outros países. Muito se foi debatido pela comunidade de historiadores sobre esse “passado que não passa”, gerando posturas controversas e diferentes interpretações. A disputa por esse passado, seus diferentes usos, constituem a atmosfera que envolve a própria crise da democracia no Brasil. Nesse sentido, este simpósio propõe reunir trabalhos que buscam refletir sob duas frentes: a primeira seria sobre questões teóricas e metodológicas que envolvem escrever sobre os autoritarismos democráticos e ditatoriais e seus usos. A segunda, envolve a historicização das experiências autoritárias, suas continuidades e reconfigurações na contemporaneidade. Entendendo o autoritarismo como uma construção social que molda as dinâmicas das relações sociais, políticas e culturais, compreendemos que esses processos devem ser analisados como fenômenos históricos de longa duração, extrapolando os limites temporais de regimes ditatoriais. Dentro dessa perspectiva, interessa-nos estudos que abordem os aparelhos repressivos estatais, memórias em disputa, políticas de transição, usos políticos do passado, lutas e resistências de diferentes segmentos sociais contra as violências cometidas pelo Estado, bem como as adesões, acomodações e consentimentos a projetos políticos ancorados no arbítrio, manifestados na cultura, nas relações pessoais e afetivas, nas instituições estatais e não estatais. Abordagens que explorem também a história digital como campo de produção, circulação e disputa de narrativas sobre o autoritarismo são bem-vindas. Assim como pesquisas que tensionam a própria escrita da História ao se recortar essas questões. Privilegiam-se recortes sobre a Era Vargas, a Ditadura Civil-Militar, Ditaduras no cone sul, os Fascismos, o Apartheid, bem como os cenários pós-redemocratização, o restabelecimento ou não da vida democrática após o trauma e as disputas pelo próprio conceito de democracia.
Palavras-chave: democracia; ditadura; usos do passado.
📌 Simpósio Temático 5 – Ditadura, arquivos e novos sujeitos de direitos
Proponentes:
Prof. Dr. Alberto Rafael Ribeiro Mendes – SEDUC/CE
Profa. Dra. Carolina Maria Abreu Maciel – SEDUC/CE
Resumo:
Já se produziu vasta literatura sobre o Brasil ditatorial, tanto no período varguista, quanto nos governos militares entre 1964 e 1985. Esses momentos históricos são atravessados por intensas disputas de narrativa, muitas delas de caráter negacionista, que alimentam ataques à frágil democracia brasileira. Assim, a memória da ditadura não se configura apenas como objeto de investigação acadêmica, mas como um campo de embates no presente, no qual o passado é mobilizado para legitimar projetos antidemocráticos e para silenciar experiências de repressão, resistência e luta por direitos. Este simpósio temático convida pesquisadoras e pesquisadores a apresentarem pesquisas que problematizem as relações entre ditadura, arquivo e a emergência de novos sujeitos de direitos. Parte-se do entendimento de que os regimes autoritários produziram tanto a repressão política quanto mecanismos de apagamento documental, tornando os arquivos espaços estratégicos de poder, conflito e reconstrução da memória. Interessam análises sobre a produção, organização, acesso e usos dos arquivos da ditadura, bem como pesquisas que evidenciem a atuação de sujeitos historicamente marginalizados — mulheres, populações negras, povos indígenas, comunidades LGBTQIA+, trabalhadores, camponeses e estudantes — na luta por reconhecimento, justiça, reparação e direitos. O eixo acolhe ainda estudos sobre história pública, justiça de transição, tecnologias digitais e políticas de memória, reafirmando o compromisso com a ciência histórica, os direitos humanos e a defesa da democracia.
Palavras-chave: ditadura, arquivos, novos sujeitos.
👥 Inscrições
📅 Período de inscrição: 01 a 13 de março de 2026.
📅 Confirmação das inscrições em ST: 20 de março de 2026
As cartas de aceite serão encaminhadas para e-mail cadastrado no ato da inscrição.
