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Universidade Federal do Ceará
Programa de Pós Graduação em História

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Trabalho e Migrações

A linha de pesquisa baseia-se no entendimento de que as relações de trabalho constituem-se num campo permeado por jogos de poder, nos quais sujeitos historicamente situados criam e recriam suas tradições, fazendo-se entre mudanças e permanências, entre negociações e conflitos. Desse modo, o trabalho, entendido não somente como relações de produção, diz respeito às experiências das camadas populares em múltiplas dimensões do viver – movimentos reivindicatórios, luta por direitos sociais e políticos, expressões culturais, rituais, lazer, organizações comunitárias e familiares. No contexto assimétrico vivenciado pelo trabalhador, encontram-se elementos de exploração e de dominação baseados na manutenção e na reprodução do racismo, machismo e sexismo, gerando a interseção das desigualdades de raça, etnia, gênero, classe e território.  O enfrentamento desse problema estrutural, que perpassa a sociedade, engendra manifestações, expressões e posicionamentos que podem ser caracterizados como contra hegemônicos, anti-coloniais e anti-imperialistas.

Os estudos dessas temáticas variadas – ligadas não apenas às formas institucionais de organização do trabalho e dos trabalhadores, bem como aos demais aspectos das lutas de classes – trazem para o terreno do cotidiano a problemática do trabalho como dimensão constitutiva da vida social. Por outro lado, a migração e a convivência com ambientes culturais diferentes e/ou conflitantes são elementos constituintes do processo de formação social brasileiro e, em particular cearense, amplamente marcado pelos deslocamentos constantes dos povos indígenas na colônia e pela migração forçada atlântica que gerou a diáspora africana, bem como de trabalhadores pobres do mundo urbano e rural, inclusive do campesinato, com as contradições geradas na disputa pela posse e propriedade da terra. A movimentação desses sujeitos inscreve-se em lógicas de busca pela autonomia, autodeterminação e pelo reconhecimento de direitos em diversos momentos históricos, inclusive no pós-abolição, que encontram o seu corolário nos desafios postos pela questão da posse e manutenção da terra, quilombola, indígena, e nas políticas de acesso ao emprego e à educação superior delineadas pelas ações afirmativas em favor dos grupos historicamente excluídos. Assim, a experiência das migrações, ao mesmo tempo que transforma espacialidades, se associa intimamente às trocas culturais, com seus ganhos e perdas, criações e recriações, em que significados tradicionais impregnam formas novas, assim como formas tradicionais se recompõem em novos significados, ampliando – se não mesmo deslocando – a noção de fronteira.

Os migrantes carregam consigo tradições, formas de percepção sobre o poder, sobre as pessoas, sobre a natureza e sobre o cosmos, experiências de lutas, símbolos, imagens, religiosidades e, enfim, uma história que ultrapassa os limites formais, institucionais ou político-administrativos. Essa abordagem abre novas perspectivas de investigação por entendermos, inclusive, que esses processos migratórios constituem experiências sociais que perpassam a sociedade em vários planos. Pensando dessa forma as relações de trabalho, habilitamo-nos a desenvolver temáticas que problematizam modos de vida e de trabalho livre e não livre (escravo, análogo à escravidão, compulsório, forçado degradante) na cidade e no campo e as variadas formas de deslocamentos e mobilidades que constituem os movimentos migratórios historicamente marcados nas experiências sociais. Estudar os mundos do trabalho, a partir destes pontos de vista, significa abrir um amplo rol de possibilidades interpretativas em torno das vivências constituídas em períodos de estiagens (ou enchentes), nas epidemias, nas doenças e nas maneiras de tratá-las, nas estruturas de poder vinculadas à estrutura fundiária, nos relacionamentos com o meio ambiente, ou nas várias dimensões do crescimento das cidades, como a formação da classe operária e as múltiplas táticas de sobrevivência de homens e mulheres das camadas subalternizadas.

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